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Amigos queridos e apaixonantes, estou no Blog-se porque dessa vez o UOL não comportou o tamanho do texto. Espero vocês lá. Quem vai? besos.






:: Postado por
Dira
as
9:02 AM
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A partilha
Imagem: Marco Ricca (1000Imagens)
Onde me perco, tem uma paisagem de parede com frutas maduras sobre uma mesa azul. A minha herança era a sua falta magicamente emoldurada sobre a penteadeira. Maquiagem, escovas, espelhos e o que eu perdi, como lixo que fui juntando para ver se reciclava. Para nada serviu guardar comida para a viagem. O que se parte não se cola.
Era paisagem morta. O quadro na parede e a falta, indo e vindo em um ontem despedaçado. A sua falta azul que colho em ondas de vidro partido em mil pedacinhos ópticos me dizem de um moço esquisito que me preencheu os guardados passados. Pedaços e faltas, sou uma mulher de passado incolor e sem mágicas.
Reviro-me em pertences teus e percebo que o que pensava teu, era só meu de um valor indivisível. Não me coloco na partilha, há pedaços que espalhei ao vento quando decidi voar. Partes que pesquei e era lua cheia. Nem era herança, nem era parte contigo. Ainda olho a parede com piches. Uma bandeja e algumas frutas pintadas a óleo sobre tela. Era falsa a mão do pintor e a inspiração.
Removo os detalhes. Quem quer saber onde essa novela vai dar? Faço de contas que não estou no inventário e participo de um velório feliz. Já se foi o que nunca fez falta. E eu retiro lentamente as frutas da bandeja no quadro da parede.
Há uma janela que não coube na partilha. A janela da gaiola que pintei de azul piscina reluzente. Havia convidados estranhos na mesa de jantar enquanto serviam a Medusa como sobremesa fúnebre. Os seus cabelos, em cobras de duas cabeças eram sinais de perigo o gozo debaixo da mesa. Abriremos o inventário. Há tanta coisa para repartir. O pó da idade, o desejo morto, as gavetas guardadas de velhas estórias eróticas inúteis. Um amor de papel e napa. Reinventarei a mim mesma para sobreviver aos destroços.
Costumava ter junto ao cós da calça os rebentos remelequentos que colhi na estrada. Hoje já não consigo ajunta-los, como rebanhos desgarrados. E mantenho a porta aberta o tempo inteiro para me pegar fugindo léguas e léguas de mim.
O que não tem sentido, e nem nunca terá expõe o ventre aberto com inscrição rupestre dizendo frases desconexas e frias. Eu abro mão do que nunca me possuiu e invento a chuva. Há tempestades em fila dupla esperando apenas que os céus lembrem que fiquei aqui na esquina esperando o moço com a vida nua passar.
E já nem era dia e passos para caminhar e ele me veio assim do nada, como se foi, me deixando as crias e a minha coragem solta pronta para inventar outros gemidos sãos e livres. E já nem era dia quando aprendi a sonhar em braile.
:: Postado por
Dira
as
8:50 PM
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