Imagem 47 (www.photobucket.com)
A respeito das dores e outras angústias
Dias de silêncio possuem um motivo: depressão. Calma. Minha vida é bem calminha. Minha família é normal, carinhosa, amiga, parceira, e estão todos com saúde. Pensei em evitar esse assunto, e depois, vi a bobagem de se levar o peso dos dias sozinho. Nada como uma conversa por email com Zeca (Janelas Abertas) para compreender isso e dividir com os que nos lêem. A depressão que carrego é genética. Nos últimos tempos, acho que nos últimos 6 anos ela se agravou. Se antes eu tinha crises de 10 dias, agora, elas duram 30, 40 dias. E isso é realmente um problema.
Mesmo que eu finja muito bem. Abro um parênteses aqui. Essa semana vi uma cena, do filme Missão Impossível 2 em que o chefe pede para o herói inserir uma namorada dele numa missão. O herói, o Tom Cruise, questiona a necessidade dos serviços dela, alegando que ela e o bandido já tiveram um relacionamento passado. Aí o Anthony Hopkins (eu amo esse ator, é o mesmo que fez Hannibal) vira-se para Tom Cruise, quando este alega que ela é ladra e não uma agente, e diz que não há mal algum nisso. E que afinal, as mulheres fingem muito bem. Acho que a platéia feminista vai ao delírio de ódio nesse momento.
E sabemos. Oh, como sabemos. Desafio um homem a fingir um orgasmo tão bem quanto nós. (hehehe) Quem nunca fingiu, levante a mão. O parceiro vai ao delírio, sai flutuando, e a mulher, levanta-se e lava-se. E a vida continua cinza.
Pois é. Eu finjo: que não tenho depressão. A-há, peguei vocês. Alguns mais chegados, percebem no meu olhar, no silêncio, quando não atendo ao celular. Outros, acham que simplesmente sumi. Evito chorar em público. Evito passar aos meus filhos, essas baixas. Depressão pega. Contamina. Porque se o nosso querido(a) está depressivo, a gente embarca junto. Normalmente é assim. Daí, evito contaminar os que amo. Perdoe-me os que me suportam. Sei que me amam. Mas na medida do possível, eu finjo. E olha, modéstia à parte, eu finjo bem. Yes, nós comemos banana! Nada a ver? Tá. Continuemos.
Estou tomando um medicamento que tem surtido efeito. Parei com todos os outros, que me dopavam e só empurrava com a barriga o problema. Agora tomo Ômega 3 (1000mg) e Sementes de Linhaça. Além de outros utilidades (baixar colesterol, triglicerídios), o ômega tem sido experimentado em depressões pós-parto. E com muito êxito. Minha médica decidiu usar em mim. Amei. Passei 25 dias sem depressão, feliz demais, super bem. Aí tive um fim de semana pesado, e acabei esquecendo os medicamentos. Não deu outra. A depressão voltou, com vertigens, com pressão alta, com tremores pelo corpo, insônia, instabilidade emocional etc etc. Algum psicanalista de plantão (Salve-me Felipe K). Calma. Já voltei ao tratamento. Sou muito indisciplinada. Só vivo sob pressão. Ai, meu Deus!
Uma das maneiras que decidi, ontem falando com o Zequinha, era de que falar sobre isso é uma forma de libertação. Porque quero viver, quero amar, quero beijo na boca, quero ser feliz. E tiro, eu só dou no ouvido dos outros, no meu, jamais. Calma, é apenas metáfora, não pretendo matar ninguém, ainda...rs
O bom, é dividir, discutir e saber mais sobre essa "doença", assim em parênteses, a fim de ajudar outras pessoas. Infelizmente, os dias atuais, de desencantamento provocam depressão coletiva. Até uma revista semanal dessas aí, já publicou os dez passos para evitação da depressão coletiva.
Quer me dar a mão, ou beijo na boca? Qualquer uma dessas restabelece o nosso equilíbrio e paz no mundo. Quando percebemos o outro no espelho e o tocamos, seja com que toque for, percebemos que não estamos sós. Estiro os dedos e escrevo. É o meu sorriso para vocês, que eu amo tanto. É isso. Está dito.
Dira Vieira

Foto by Min Por do Sol de Jacaré
"Isso que não ouso dizer o nome
Isso que dói quando você some
Isso que brilha quando você chega
Isso que não sossega, que me desprega de mim
Isso tem de ser assim..." (Isso: Chico César)
Faça um carente sorrir!!!
Sem inspiração, vou logo apelando: alguém aí pode me dar de presente, esse cachorrinho aí???
Foto: Victor Melo - Banho de Lua
Saudade
dentro em mim
uma saudade que não teve pele
e a vontade do ontem
ardendo na minha boca.
Dira Vieira
Do que eu não disse
Os meus rios
possuem os teus dedos
e aquele projeto de vida
ainda desata os meus pés
à boca miúda
aceno a estrada que liga ao ontem
contando luas e as estações
ao contrário de quem vai e perde
a poesia reclama - e com razão
olhos fundos do bem-querer do ódio
a falta arde e chora
e não há quem vista luto
("muitos os convidados, poucos escolhidos")
Visito a placa, antiga casa
em lágrimas, sangro as marcas
deixo lá minha alma,
arvorando
quem sabe um dia passo para buscá-la?
a fome
olho do tigre na fechadura
me morde a língua em profecia
maldita
palavra dita antes do tempo
O que sou me remete ao vazio
e os teus dedos se recolhem
ante meu verso em riste
- cisco no olho da dúvida.
Quem consolará os meus ais?
às minhas dores, quem acrescentará poesia?
se desnudo, faço chover os teus olhos
se me pinto de branco, te engulo
sangro os azuis
ninguém suporta a verdade.
(do que me falta
isso me engravida, engorda e mata.)
Dira Vieira
P.S: Refiz o poema. E ainda não gosto dele.
Incisiva
melhor que tu cases
com a outra
e tenhas com ela
filhos barrigudinhos e de nariz escorrendo
porque mais vale
o amor da outra
que esse meu amor
de puta
(cansei de lavar, passar e parir poemas inúteis)
Dira Vieira
INCISIVA
Um texto de Dira Vieira
(Análise crítica)
Maria José Limeira
Um texto (qualquer texto deste mundo!) a gente lê com as armas de que dispõe. Pode ser o
texto do poeta mais genial do mundo. Se não me disse as coisas que eu gostaria de ouvir
(ou de dizer!) não disse nada.
Isto acontece também com a música, com as artes plásticas, com os filmes e teatros, etc.,
e com a arte em geral.
Eu fico besta (pasma!) vendo aquelas mocinhas, ao lado de seus impecáveis mocetões,
dançando animadamente nos bailes funks, ao som de endiabrados tigrões, deliciadas, como se
estivessem no céu... Talvez, para estas, o fato de existirem autores como Carlos Drummond de
Andrade, Fernando Pessoa e outros cobras da Literatura Universal não queira dizer nada.
Pois bem. Não se trata aqui de poposudas e poderosas, mas de um texto lindo intitulado
“Incisiva”, de uma autora chamada Dira Vieira, que todos conhecemos, pela sobriedade de sua
obra em franco andamento, que me soa bem, tanto na Poesia quanto na Prosa.
Este texto “Incisiva” tem tudo da nossa amiga Dira Vieira: ritmo, elegância, concisão, e
muitas surpresas no seu desenrolar, até a tacada final.
Há quem lembre que existe uma literatura dita “feminina”, com assuntos próprios das
mulheres escritos por elas.
Poderia haver injustiça nessa classificação se fosse impossível às autoras ingressar
naquilo que todo escritor almeja: o alto vôo na direção da universalidade.
Dira o consegue. Dira o sabe. Dira chega lá. Com seu passo cadenciado. Com sua paciência
de trabalhar o texto. Sobretudo, com humildade.
Este texto “Incisiva” é de uma beleza extraordinária. Tanto no conteúdo, quanto na
linguagem.
É um grito de protesto, sem nenhum grito. Dito em voz baixa. “Incisivamente” como o disse
a autora, pura e simplesmente.
Mas, não é somente a rebeldia da mulher. É o protesto humano por excelência. Com todas as
letras! E nisto reside sua universalidade.
(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB).
É impressionante a capacidade de convencimento da dira nesse poema, ele é
incisivo mesmo! como aquele olhar definitivo que faz com que todos entendam
e obedeçam quem tem autoridade! como se já tivéssemos esgotado toda a nossa
capacidade de tentar modificar as coisas...
para mim, é um belo poema!
líria
Sou um romântico e, como tal, não aprecio gritos - quer vindos de um homem, quer de uma
mulher - a não ser em certos momentos íntimos da vida. Os gritos incisivos de Dira parecem
provocados por momentos intimos da vida - mas não daqueles que antes mencionei como de
minha predileção. De toda forma, num poema assim curto a menção "a outra" seguida de perto
pela "da outra" talvez pudesse ser evitada, como por exemplo dizendo:
"porque mais vale
o amor dela
que esse meu amor
de (puta) cadela"
Ah, gostei imensamente da frase-poema que se seguiu ao grito ("cansei de lavar, passar e
parir poemas inúteis"). saudações.
José Nunes
E então, uma análise
(anderson estica os braços, entrelaça os dedos, se espreguiça, tenta tirar do corpo o
gosto pessoal e vestir a roupa da imparcialidade)
Incisivo é o que corta. Conciso, cortante e enérgico. Mas também é o que é eficaz.
INCISIVOS são os quatro dentes situados entre os dois caninos. Os dentes que cortam e
fazem a separação.
A Incisiva não tem caninos. Não tem presas. Digere o que lhe é palatável, mas não
aprisiona, não suga.
O Rompimento, a incisão, despreendem o ineficaz do eficaz. Libertam da dor em nome da
dor.
A rotina não cabe à incisiva, e é por isso que ela se faz
. Puta da vida, puta com tudo o que lhe maltrata. Revoltada, cansada de repetir erros,
de repetir odes.
Incisiva é verdadeiro, e por ser verdadeiro é poesia.
O verso , longo assim, em contraste com a regra que se impunha de versos curtos, de
cortes, é desabafo e é verdade. Mesmo que a imagem seja corriqueira (e alguns a chamarão de
clichê), ela assume o corpo da como mais um corte. O corte da rotina dos versos.
É um poema fantástico, que move o leitor enquanto se move.
Um poema muito bem conseguido
(Anderson Santos)
Ricardo Pisoler
escreveu:
O amor de puta também é importante dentro do contexto da família moderna, como sempre
também o foi, destes as antigas eras.
A rebeldia com a qual é tratada por este poema também faz parte da realidade do ambiente
periférico e marginal no qual sobrevivem putas e afins, neste ou outro país.
O fato que seria melhor que o denominado casasse com a outra, e não com a puta em
questão, não passa de uma reclamação cabal relativa à incompetência da mesma em se transmutar
para tal mulher, ou dona de casa, ou mãe de família, ou o caralho que for, que fez com que
o dito cujo preferisse a donzela careta e pastel, em detrimento àquela metedeira de
primeira.
Portanto, neste caso, eu também me casaria com a outra e mandaria todos aqueles que foram
contra à puta que o pariu.
Obrigado, Ricardo.
Análises do poema Incisiva na Oficina Literária, coordenada por Maria José Limeira. Para visitar a página do grupo: acesse: http://br.groups.yahoo.com/group/oficina_literaria/
(calma, isso não é um poema, é um "péra aí que volto logo")
beijo.

Foto: Segurando o peso do mundo
(Meus pés, indo para Campina Grande)
Eu era criança. Mamãe não tinha condições de comprar brinquedos. Então eu tinha uma boneca Susy que era a similar da Barbie. Meu irmão, possuía alguns carrinhos e gostávamos de brincar no quintal, na areia, simulando cidades. Ele fazia estradas e pontes, e brincávamos a tarde inteira. A minha boneca era alta, magra, belíssima. O marido dela (meu irmão) era uma pilha raiovac da média ou da maior. Ele posicionava a pilha dentro dos carrinhos e ela ia para o trabalho, voltando à noite, sendo recebido no portão pela sua esposa, a minha boneca.
Nessa época não pensávamos
Hoje, eu fico pensando nas relações sociais atuais. No quanto somos apenas “vale o quanto pesa”. Não adianta quantos títulos conquistamos, vale o “quem indica”. Não importa a inteligência, a maturidade, vale “a aparência, o padrão físico específico”. Não importa o quanto especial vocês seja, qual é mesmo a marca do seu carro? Não importa quanto "meiguinho" você for, ah, mas até que você tem um rostinho lindo! Tenho uma amiga negra. Inteligente, formada. Linda. Aos meus olhos, que vêm todas as pessoas pelo avesso, como realmente são. Está desempregada. Alguém conhece algum negro que trabalhe em Shopping? É normal ver negro no comércio? Em que loja? Em que cargo? Observe isso. E diga para mim que estou errada. Por favor, quero crer que estou errada. E que é apenas coincidência.
Pensei nisso, quando uma pessoa amiga me acusou de tê-la magoado. E eu fiquei aqui pensando, no quanto essa pessoa me fez sofrer. E quando isso aconteceu, mais eu a amei. No tempo em que ela disse que a fiz sofrer, foi o tempo em mais amei alguém. Por que a dor alheia não doi como a nossa? Por que a nossa cruz é sempre mais pesada que a dos outros? Por que somos tão egocêntricos? E então, imagino que eu sou mesmo um ET. Eu não consigo entender como somos excludentes mesmo quando dizemos amar o outro. Excluimos as pessoas, os que não escrevem tão bem, os que não saem em colunas sociais, os que não possuem livros publicados... Há uma arrogância disfarçada no ar. Uma falta de respeito que me enoja. E nem vou falar nos escândalos políticos. Esses já são lama farta e caldalosa. Falo dos círculos sociais ao nosso redor.
Conheço pessoas que eu julgava arrogantes, pedantes, e excludentes (isso também era um pré-julgamento meu). Aí conheci de perto. Vi que era o contrário (quem manda dar ouvido aos comentários?). Apaixonei-me. Quer saber o resultado? Quando a dor veio, o que era pouco se acabou. Era cristal. Partiu no meio. A arrogância era verdadeira. E o sapato alto era apenas adorno de sua solidão de estrela. Eu ainda acredito em Primadonas. Porque as vezes, as pessoas crescem tanto, e esquecem que já foram pequenas um dia. Fica difícil voltar ao pó. Graças a Deus, nem todos são assim. Ainda existem pessoas azuis que não desbotam em contato com o vermelho da dor. Não é Claire?
Nessa noite, conversando com a Claire (Claire Insone) eu cheguei a conclusão que, os conceitos e os preconceitos excluem, mas apenas o amor nos torna imagem e semelhança de Deus. Bom seria se pudéssemos ser como a pilha gordinha e baixinha e a boneca Susy. Apaixonados sem olhar pelas aparências. Como complicados somos em nossas relações humanas... Seria tão bom se apenas amássemos os outros, sem necessidade de nenhuma outra explicação... o amor se bastasse. "Se eu fosse uma lagartixa, ainda assim você me amaria?" O amor não precisa de bula, nem tem contra-indicação. Ele É. Como Deus é o EU SOU.
A propósito. Preciso de emprego. Alguém me indica?
P.S. Pensei em explicar o poema do post anterior. Aí pensei bem. Se o fizessse, estaria enterrando-o completamente. Não se preocupem os amigos que não o entenderam. Ele não é para ser isso. O poema fala por si só. Ele é meu enigma. Meu beijo a todos que o sentiram, e os que até tentaram. Amo muito vocês. Dira Vieira

Narciso (Caravaggio)
Espelho Meu
o contrário do que não sou
me assombra os dias na janela
parece que vou enquanto volto
e uma tríade de sons me cegam os olhos
sou como sombra e medo
e o que eu não fui
se contrasta no espelho, sou tua sorte e pecado
as partes de mim que se misturam os olhos
e as mentiras que acariciamos todos os dias
sou como címbalo que retine
e o azul que se parte ao sol de meio-dia
fogo ateado às vestes nupciais, tua arrogância branca no espelho
enquanto me moldo, deformo
com quantos nós entenderei teus silêncios?
(Dira Vieira)
Fases
de lua,
você grafita minha pele
nesse amor edipiano:
- e nem assim falamos a mesma língua -
Dira Vieira
“Quero a Guanabara, quero o rio Nilo Quero tudo ter, estrela, flor, estilo Tua língua em meu mamilo, água e sal...” Bandeiras – Zeca Baleiro1. Modo espera
A minha vida está em modo espera. Cada minuto que passa, vejo a ampulheta na minha frente sinalizando meu pouco tempo de vida. Ao invés de fazer alguma coisa, eu simplesmente viro estátua, das brincadeiras de crianças, diante do espelho. Onde está o Wally?
2. Modo resumo
Como se arrastam os dias, vejo todas as letras fugirem dos meus dedos, muito embora eu as sinta roçando a minha língua-pátria-mãe-gentil-dos-sem-inspiração. Ponho a língua para fora, abro os braços, respiro fundo e a única coisa que me vem à cabeça é a vontade de vestir-me de azul e ensaiar um fevereiro mais distante que a minha alma
3. Modo no-email
Abro a caixa de e-mail, e vejo o número de 120 mensagens não abertas, 15 poemas inconfessáveis, 20 contos não finalizados e uma vida, que me arrola a contabilidade das horas mortas e inúteis. Será que somos todos uns inúteis na administração desse tempo terrivelmente desumano? Para onde correm os teus pés, se é a mim que eles procuram por essas ruas que não são nossas? Contabilizo a areia caindo na ampulheta. Katrina me anula as forças, mas eu sou brasileira e não reajo nunca. Espero os teus sinais de fumaça que o vento levou e vou lá, pedir audiência com Deus. Será boicote do Ursinho Panda?
4. Modo telefone celular sem crédito
Movo o dedo no teclado. O sono não vem. Tomo chá verde. Xícaras e xícaras de chá com adoçante me consomem os neurônios. Vou pra rua, acendo um cigarro (ops, não fumo, apaga isso, não é verdade) e fico aqui, olhando o vai e vem das pessoas. Olho para um casal que namora de frente ao meu portão. A paixão levanta os braços da moça, agarra-a pela cintura, beija a boca do amor adolescente, rodopia a felicidade na calçada e eu imagino um poema de amor. Não. Não estou para poemas de amor, nem esse amor juvenil hoje, inspiraria um verso. Essas pessoas apaixonadas são extremamente ridículas. A minha boca tem o contorno do teu dedo me pedindo silêncio enquanto me arranca suspiros escandalosos. “Já fui mulher eu sei... já fui mulher eu sei...” Chico César, no carro do menino que rodopia com a garota no meio da rua. Ela veste uma aura vermelha-cherry de juventude. Eu não me sinto velha. Sou poeta. Vocês dizem, sou educada, acredito. E a minha mão procura o verso de pé quebrado e implora a sua atenção. Amar poeta é bom, rende poesia concreta, e rimas extraídas da pele. O braile de que eu tanto falo. Hummm, melhor entrar e voltar para o teclado. A rua está fria. Quem sabe você não erra um número ao ligar para alguém e não seja eu, o seu azul cortante nesse vermelho que é a tua alma insinuosa e pálida? A sua falta cheira mal e balbucia sonhos desconexos. Eu quero fingir que não te sei. Mas é impossível. (continua embaixo...)
5. Modo mensagem devolvida
E os aviões sobrevoam os meus primeiros medos. Código secreto dos blogs. A existência ou não de uma “panelinha” nos blogs. Só comento se tu comentares. Só te linko, se me linkares. E o teu blog está lindinho, miga. O que há por trás das relações sociais. As poderosas relações de trocas. Eu apenas dou o que recebo, e o cristianismo da outra face encolhe-se no peito e chora. Nas poucas vezes que discordei de algum texto em blogs, precisei sair correndo para não apanhar. Há um código secreto de aceitação de texto ruim? E se eu pedir para vocês me dizerem quando meu texto é ruim, vocês serão sinceros?
6. Modo Katrina
E em mais um dia de angústias:
- Olá, senhora, boa noite, a senhora analisou meu currículo?
- Sim. Infelizmente o senhor não se enquadra no perfil de professor de Sociologia, mas de jornalismo.
- Mas sou Doutor em Sociologia, portanto, sou sociólogo.
- É. Mas para ensinar em saúde, precisa ser da área de saúde.
- Ah? Ok. Obrigado.
Alguém me avisa se Sociologia agora tem que ser da área de Saúde? Síndrome do ônibus 747.
7. Modo web
Procuro a minha vida em meus arquivos mortos, no meio dos cabos, fibra ótica e tento entender esse mundo maluco das relações de amizade e de interesses. Quantos títulos você possui? Não, a pergunta correta é: Quantos conhecidos podem te apresentar ou arrumar “aquela vaguinha” para você. Agora, sim, falamos o mesmo idioma. As CPMI'S mudarão o caráter dos sem-caráter? Não é melhor fazer um Movimento dos Sem-caráter, não? Quem limpará a honra do inocente?
8. Modo Menudo
Não me reprimo. Ouso pedir a tua atenção, pela vista grossa, pela vista fina, pelo olhar de lado, língua bilingue em duas vias. E o sinal vermelho acusa que já estou farta desses joguinhos sociais. Parem a música, toquem o sino da meia-noite, por favor, meus ratinhos e abóboras maduras, avisem ao mundo que sou borralheira e não sei fingir. Não esperem que eu deixe cair o meu sapatinho na calçada da fama. Enquanto isso na TV: Bloquearam a conta de Luma de Oliveira e Luciana Gimenes pergunta a Dercy Gonçalves se ela pode dizer como foi o estupro que ela sofreu aos 78 anos.
Por favor, quero voltar ao ventre de minha mãe. Estou á mercê dos fortes braços de Katrina, e com ânsias de vômitos pelas pizzas de Brasília. Alguém me ensine a levitar?
Dira
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