mínimos de mim...

 

Imagem do blog: www.gragrazilua.blogger.com.br/ (desconheço o autor)

 

 

Há um olho a mirar a rua deserta

 

 

Os olhos acompanharam a sombra que deixa a sala em silêncio. Há um olhar que caminha sozinho até a rua, e outro que fica, juntando os cacos e retocando a maquiagem da boca de lobo na estrada escura. Foi o olhar que se foi que ficou tatuado no peito. Foi o olhar que ficou que a alma não quis mais habitar. Depois disso, todas as manhãs se esconderam dos dois. Vai passar, vai passar. Diziam aqueles que nunca souberam o que é amar.

 

Dira Vieira

 

Eutanásia

 

O telefone tocou no meio da noite. Ele chorava do outro lado do fio. Ela ouvia sem dizer uma palavra. Ele pintou cobras e lagartos, ela engoliu todos os sapos. Ao final, ele disse que a amava. E ela, que já não agüentava a linha cruzada, desligou-se. Foi isso que a fez desligar a vida. Meu amor, me perdoe. Foi engano.

 

Dira Vieira

de luas...
  

Foto: Jorge Rosa

Ao meio

 
Partida, divido-me em partes  que se escondem de ti.
Sou como metades
- meias verdades -
nas tuas difíceis fases de lua
 
e se me faltas
reparto-me em bocas que minguam.
 
Dira Vieira
mirante

o meu olhar
se perde no olhar do poeta.
é lua cheia
e eu me farto de mi (n)guantes.

Dira Vieira

Foto: Pomone, Outono (Dalí)

 

Invernos

 

Para balanço, fecho o meu corpo, faxino a alma e espero outra primavera de idéias. Há tempos que não sinto tuas rosas brotarem em mim.

 

Dira Vieira

visitando vizinhos...

Foto retirada do Fotolog do Arthur

do que mais você sente falta?

Eu sinto falta de muita coisa...
De coisas bobas, de coisas pequenas, de coisas importantes, de coisas grandes...
Das paixões que perdi, do tempo que vendi, das alegrias que deixei pra trás...
Mas sinto mais falta de pessoas que não posso voltar a rever, ter
novamente aos olhos do corpo...
No entanto, eu as guardei, não em cofres a sete chaves aonde as traças
poderiam existir e o tempo consumir, mas em um local especial, de uma
maneira diferente, uma forma que me acompanhará até para além das
portas deste mundo, e é a única riqueza que verdadeiramente sei
possuir e que homem nenhum neste mundo pode me tomar... Meu espírito.
Diz um poeta que:
"Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela."
Disse outro poeta "tudo vale a pena se a alma não é pequena..."
É a isso que me proponho, velar, estar e ser por aquilo que vale a
pena, um todo...
E Viver intensamente, por si só, já vale muito...

Arthur Feitosa Petrola - http://ubbibr.fotolog.net/artdm


Eu conheci o Arthur através de minha filha que é amiga dele, e logo senti muita identificação com o que ele escreve, e pela forma como se auto descreve. Sua sensibilidade acompanha os seus textos no seu Fotolog e ele consegue unir a foto ao texto. Pena que a foto que ele me deu pra postar aqui eu não consegui colar. Daí, entra a foto dele. Esse menino vê o invisível como poucos. Ele transita entre o sonho e a realidade com propriedade de quem já pisou nos dois terrenos. POr isso eu o admiro, por isso ele está aqui. Tomara que seja uma série de postagens dele nesse blog. Arthur, meu carinho e meu respeito a você que é não é Ícaro, mas sabe dominar os vôos sem derreter as asas.

Dira Vieira

chovendo...

 

Foto: Victor Melo

 

De dia, sou tuas águas

 

Chove lá fora

e me deixo levar pelas tuas palavras ditas

como se eu fosse a rua

e as tuas águas me lavassem as calçadas

os meus vãos

o pé da escada...

então eu abro os braços em papel de parede

 

para que me imprimas em preto e branco

o teu amor que me alaga em lilás.

 

O meu fogo,

atiçado pela esperança, ressente-se do frio

e te concebe inteiro entre lençóis macios

letras e letras em sustenidos.

 

És água benta

escorrendo dos meus olhos

lavando a chuva

:

saudade dos teus dedos

parindo em mim a vida.

 

Dira Vieira

depois do mar...

Foto: Luiz Carlos Pinto

 
Dominical
 
é a tua boca
gomo matinal
que me chama
pelos nomes secretos
 
nunca boca mais linda
me quis tão de perto.
 
Dira Vieira
ensaiando casulos...

Foto: http://www.kino.com.br/GENTE/ppages/ppage6.htm

Das Marias que sou, a Madalena me consola

 

 

Eram algumas horas da madrugada quando o sono foi embora, pela fresta da janela semi-fechada. Percebi os meus azuis espalhados pelo chão misturados às faltas em outros tons que vi esconder-se debaixo da cama. Um frio percorria a espinha, como espiral em fractal reluzindo saudades por todos os poros. Eram as imagens que me chegavam aos olhos em lembranças de promessas perdidas. Não tenhas medo. Se os cinzas apagarem o amor, misturaremos as tintas e recriamos todos os tons. É cedo. E minhas Marias sorriem para mim.

 

Dentro de mim, a poesia órfã se aninha num mar azul que me seduz. Há uma caixa de entrada no meu quarto, e eu deixo a caverna aberta, como se fosse buraco na minha armadura diária. Se você vier num azul celestial, tirarei todos os móveis para fora, limparei as paredes, espanarei as teias de aranha dos silêncios que você marcou a ferro e fogo sobre a minha pele nítida de si.

 

Das Marias, a Madalena me consola na calçada nas noites de frio... enquanto damos adeus aos últimos blocos de sujos, um papangu que batuca o meu coração vagabundo. Tum tum, tum e sento em alguma estrela, coração de andorinha prenha de ausências e solidão.

  

O amor, besouro escarlate, entrou aqui sem avisar pela janela aberta, pegando-me de surpresa e farta de vida, e injetou-me o seu veneno mortal. Se era amor, por que não carrega em suas patas a vacina, a cura, a esperança? Quem ama não mata, e esquartejamos a promessa de cama, sala, cozinha, sala de estar e o amor batendo em retirada com os primeiros raios da manhã.

 

Sou rosa despetalada na calçada, com as minhas marias chorando em bem-me-quer, mal-me-quer e a boca da noite me esperando triste para recitais sem cor. Com um jeitinho, trato de empurrar com o pé, os medos, os pelos acesos, nos teus outros, nos meus, nas minhas marias-tantas, que lutam, todos os dias, café quentinho e novo na garrafa para sobreviver aos dias de chuvas fortes e tempestades de ausências.

 

Enquanto da janela da sala, observo a Maria, a Madalena, sufocar o meu choro entre as mãos, como se eu fosse um bebê desmamado e aninhar-me em seus mares, num azul de doer os olhos, como de paixão, cedendo seus seios para que sorva dela, o leite que me restou dessa ultima quimera. Dessa maria, que já vem tarde, espero o colostro, e o soro anti-morte do meu amor natimorto fragilizado entre as minhas mãos. Das Marias, apenas a Madalena me reconhece, e me consola. 

 

Dira Vieira.


Imagem retirada do site: www.dombarreto.g12.br/ lendas1.htm

 

Canto de sereia

 
  feito Iara
  na frente do espelho
  deslizo águas azuis
  pelos teus dedos
 
  e como espelho de alice
  deixo que me venças
  quando inadvertidamente
  mergulhas pra dentro de mim.
 
   Dira Vieira
e você, onde guarda os seus?

Onde guardamos os nossos preconceitos?

 

Há uma campanha sob o título: “onde você guarda o seu racismo?” do Grupo Diálogos contra o Racismo rolando por aí. Eu mudaria esse título e abrangeria todos os preconceitos. Porque há preconceitos sobrando para tudo quanto é gosto. Eu sou terminantemente contra todo e qualquer tipo de preconceito. Não apenas um, mas todos. No entanto, como sou humana, todos os dias fico vasculhando dentro dos meus armários algum preconceito de estimação, algum que disfarço, coloco uma nova roupagem, ou que camuflo, para passar despercebido aqui fora. Onde será que guardamos os nossos preconceitos?

 

Fala-se muito em preconceito contra homossexuais. Fala-se muito em preconceito contra os negros. Fala-se em preconceitos contra as minorias. E por aí, vamos tecendo uma lista enorme de preconceitos mais falados. Todo mundo se apressa em dizer que não possui preconceitos. No entanto, repassamos piadinhas contra nordestinos, contra portugueses, contra argentinos, contra Vascaínos (ok, ninguém é perfeito), contra o governo Lula. E por aí vai. Eu leio tudo o que me chega ao email. Não repasso nada. A menos que a mensagem seja de alerta contra vírus (desde que confirmada a veracidade da informação). Odeio correntes, ops, um preconceito? Odeio piadas ofensivas de qualquer espécie. Contra o que quer que seja. O que ofende ao outro não pode me fazer rir.

 

Nas relações com os nossos amigos, colegas de listas, colegas de blogs, e outros círculos sociais, dificilmente alguém me verá contando uma piadinha que ofenda ao outro. O mundo determina padrões de comportamento, de liberdade. Eu fico realmente doente quando vejo filmes antigos que revelam as atrocidades dos que pregavam o cristianismo romano. Roma absorveu o cristianismo e o desvirtuou completamente. Certamente que Jesus não perseguiriam os não-cristãos. E adivinhem quem leva a culpa? O Cristianismo. Lógico.

 

O preconceito está no homem, no seu jogo mesquinho pelo poder. Nas suas armações de dominação. Sou contra todo tipo de preconceito. Odeio quem odeia evangélicos, odeio quem odeia católicos, odeio quem odeia espíritas, odeio quem odeia mulçumanos. Ops, não estarei novamente sendo preconceituosa? (Calma, continua)

continuando....

Não vou me deter aqui à história do Cristianismo. Não interessa. Interessa a nossa posição diante das pessoas e do nosso semelhante. Alguém vem a mim e diz, olha, fulano é uma pessoa incrível, mas é feio de doer. Ou, “coitada, é tão gorda”. Ou, aquele fulano ali é alcoólatra, ou, que mulher feia. Não me lembro nunca de ter feito um comentário desse nível. Porque para mim, as pessoas são os seus atos. Se seus atos forem bons, pouco me importa o nariz torto, a cara amassada, o sorriso sem dentes. O que detona alguém diante de meus conceitos, é o coração duro, a alma suja, e a sua maldade contra os outros. Isso para mim é muito feio.  

Odeio quando me repassam piadinhas com fotos de obesos mórbidos. Que Deus nos livre de um dia chegarmos a esse estado, ou termos alguém que realmente amamos nessa situação, porque não é fácil. A dor de não se sentir aceito, os problemas de saúde, e a vontade de ter uma vida normal é o que mais pesa. Aí as pessoas se sentem no direito de rir da dor do outro. Banalizamos a dor alheia. É tão fácil rir do problema do outro, não dói nada. Algumas pessoas, e até mesmo pessoas que têm suficiente cultura para não ter preconceito. Mas têm. Onde será que guardamos os nossos preconceitos de estimação?

 

Eu nunca falei de religião para as pessoas sem que o assunto viesse à tona naturalmente. Não discuto futebol (não só por não entender muito, mas porque sou flamengo...tem, algum melhor? hehehe), já discuti política, mas acho que política não se discute, se faz, na nossa casa, na escola, nas ruas, no nosso trabalho, quando permitimos ao outro ter opiniões contrárias à nossa. Eu não discuto sobre religião. Amo ateus, amo agnósticos, amo religiosos, amo amalucados, amo tanta gente, até quem não me ama e torce o nariz para mim.

 

Alguém que amo muito me disse um dia que se pudesse mataria os evangélicos. Os que estão no Congresso Nacional, e os que com ele um dia cruzou, entre eles, eu. E eu pergunto, esse não é mais um preconceito? Alguém que sofre preconceitos de toda a espécie, deveria ser preconceituoso? Claro que exigir que as pessoas não possuam preconceitos é quase que exigir que o ser humano não seja humano. E mais um preconceito. Eu não sou igual ao meu semelhante. Eu não sou igual ao ateu, nem ao evangélico, nem ao católico, nem a ninguém. Sou única. Nem mesmo quando partilhamos da mesma filosofia, somos iguais. Nem gêmeos idênticos são iguais. E é aí que está toda a beleza da diversidade, eu sou única, mas os meus preconceitos podem ser iguais aos dos outros. Apenas eles. Somos preconceituosos com os políticos, todos são maus, corruptos, e demagogos? Conhecemos muitos que sim. Mas não acredito que todos o são. Nem tudo que faz sombra é o diabo.

 

Prefiro ser uma metamorfose, como disse Raul, e revirar todos os dias os meus armários, retirando, quando possível, meus preconceitos de estimação. Eu sou contra todo tipo de preconceito.

 

Sou contra todos os excessos, os radicalismos, a direita, a esquerda, o centro, e não sou nada. Sou apenas alguém que ama, sofre, e ama de novo. Sou teimosa. Vivo nadando contra a corrente. E assim, imunizo-me contra os morteiros da indiferença, esse sim, o maior preconceito. Minha única insanidade é o desejo do beijo, molhado, agoniado, poético do fio condutor que dá a vida. Com esse desejo não tem meio termo. Eu quero. E não arredo o pé.          

Dira Vieira

republicando...

 

Pintura: Luciana(http://www.prasaber.mais.nom.br/watercolor/pinturas_lu/pages/Chovendo_jpg.htm)

 

Chove lá fora...

Há um bom tempo olho a chuva cair lá fora pela janela do apartamento desse hospital. È cedinho, as pessoas passam apressadas para o trabalho, para a escola, para as suas atividades rotineiras.

As pessoas correm de um lado para o outro. Estão aflitas, alguns passam apressados, perderam a hora na noite anterior, dormiram demais. Observo a preocupação de algumas com o relógio. A chuva cai, alheia a necessidade dos passantes.

Chove lá fora. Chove aqui dentro de mim.

Parece que dentro do hospital, a espera é outra. Uma espera de cura. Espera do acontecimento, da alta hospitalar, da vida a ser retomada lá fora. A vontade de tomar banho de chuva, de caminhas descalço, de brincar como crianças em fuga.

Um pássaro, de asinhas molhadas, pousa em minha janela. Quase o toco. E ainda dá tempo para mirar o seu olhar. Olho lá fora, como se fosse um mundo diferente do mundo que vivo aqui.

Os passos aqui dentro são meticulosos, frios, quase imperceptíveis. O branco é uma cor padrão e a gente as vezes acha que lá fora tudo é branco também, as árvores, os carros, as pessoas.

Os teus olhos, menino que acabou de acordar mais finge dormir, se revira fechados, com medo de que eu perceba que você já acordou e não aceita a sua imagem sobre a cama.

Chove lá fora, amor. Chove aqui dentro de mim.

Esperamos a manhã terminar de acordar. E o sol, entrecortando a chuva, invade o quarto, onde absorto, esperamos a vida nos arrastar para a rua, como tantas vezes fez. Nem consigo me virar. A imagem da rua viva, com os seus carros e mulheres correndo como loucos, deixa-me hipnotizada, perplexa, atônita. Se eu me virar, eu posso acordar. E acordando, tenho medo de perder você e ganhar as ruas, pássaro tonto que desaprendeu a voar.

De asas molhadas não vôo. Espero a chuva passar. Continuo na janela, protegida pela vidraça, sentindo o frio do ar condicionado, sentindo o seu olhar nas minhas costas. Se eu me virar, quem sabe acordo, e perco você.

Dira Vieira 

no quarto...

Foto: Silvia Antunes (Luz)

Serei quartas-feiras de cinzas

 

 

Vou pintar minha alma em preto e lançá-la ao mar numa garrafa de rolha. Vou pintar de cinza a boca e enterrá-la na areia da praia pra nunca mais voar à toa. Vou descolorir a íris vomitar tua bílis e depois, chorar a noite inteira até cair.

 

Vou pensar que sou ventania e esconder-me nas esquinas como uivos de corujas até que esqueçam de mim. Vou fechar o meu corpo em livro vou frear os pensamentos íntimos vou arrancar o coração fora pra ter certeza que o amor foi contido.

 

Vou tirar meu bloco da rua, desfazer das fantasias suas, trocar a máscara por uma quarta feira de cinzas e apagar a luz antes que a luz me apague de vez. Sou me embriagar da tua saudade, vou fechar os olhos em protesto, vou achar que só eu senti.

 

Vou fingir que sou morta viva, fechar janelas, cravar pregos nas portas, mudar de endereço, trocar de sapatos, trocar o azul, pelo luto dos teus cabelos pretos, só para não mais saber noticias de ti. Vou esquecer as letras do teu nome cravado em minhas costas. Abrirei os olhos para não te ler mais em braille sobre o meu corpo nas tuas ausências. Nunca mais te esperar.

 

Vou tirar o telefone do gancho, vou esquecer a poesia ingrata. Vou quebrar o espelho do quarto e pintar de batom o do banheiro, sonhar que fui sua, e abster-me dos loucos, para quem sabe assim, sobreviver a dor que a sua falta caminha em mim. Tomarei um porre dos teus olhos frios e dormirei infeliz.

 

Não tem jeito. Quando a inspiração se vai, e os olhos ficam cegos no ódio, a poesia fecha as pernas dos sonhos, e se recolhe em desamor. Não há grito que faça o viço voltar na face de quem desencantou do amor. Lagarta que muda a casca, procura asas como souvenir.

 

Dira Vieira

ensaiando a comemoração...

Foto: Ricardo Alves (Ondas do mar)

Maré alta


Ficou de frente ao mar para fazer sua habitual comunhão com a natureza. Começou recitando versos, pôs-se a cantarolar uma trova. Abriu os braços e fechou os olhos. Era a boca dele que lhe ditava a vida. Era a voz dele que a fazia fado nas mãos da poesia. Foi assim num segundo, em que mergulhou sem volta aos braços do mar bravio. Ao menos assim estancaria o amor
partido.

Dira Vieira


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Esse blog está completando um ano de existência. O que me deixa imensamente feliz. Pelos amigos que fiz, pelos que me fizeram, pelos sonhos compartilhados, pelas diferenças, pelo exercício de compreensão do que é o outro. Pelos que se fizeram adultos comigo, pelos adolescentes que estão sempre por aqui, pelos que me entenderam ao longo desse ano, pelos que de outra forma, não conseguiram entender, mas respeitaram, e aos que não me deram a chance de mostrar o que sou. Ser amigo do outro, não é inumerar os defeitos alheios, mas é olhar para si mesmo e ver que sem o outro, somos apenas rostos que passam na rua, sem sombra, sem cheiro, vazios. Eu poderia citar o Pequeno Príncipe, o qual eu amo. Mas ele já foi tão usado, que me dá dó, usá-lo aqui.

Fica minha gratidão aos meus linkados, e aos que não estão linkados. Obrigada pelas visitas, principalmente pelos comentários, porque é através deles que a troca acontece. Não sei qual o sentido de um blog sem a interação dos comentários. Nem sei a função do escritor, sem leitor. Então vamos combinar uma coisa: em março, eu comemoro com vocês esse um ano de blog, juntamente com a minha finalização do mestrado. Beijinhos aos novos amigos, aos amigos novos. Beijinhos ao Zeca, Mariza Lourenço, Geórgia, Marcia Maia, Lau Siqueira, Linaldo, Cherry, Ilidio, Loba, Benno, Simone Maldonado, Antonio Mariano, Andre Ricardo Aguiar, Adelia, Sá, Ariane, Sinuhe, Manoel (Agrestino), Moacyr Cirne, Lali (Laranja Lima), Diana Dru, Mauro Cassane, Garimpeiro, Esqueleto, Eva Armán, Viviane Aun, Ricardo Aguilheira, Cal, Dora Vilela, Paty (Zero grau), Adalberto dos Santos, Tolee (la vie em Belgica), Luiz Alberto Marchado, Bióloga Valéria, Milton Ribeiro, Maria José Limeira, Bené Chaves, Jotaefe, Passeando, ALEGRIA, Aldinha, Ana Peluso, Antoniel Campos, Pedro Camargo, Adriana Zaparolli, Rilson Toones, Alvaro, Anônimo Veneziano, Tâ, ZU (Medo de Avião), Loy, Eros, Rodrigo Pernambaiano e todos, todos, que me dão a honra de vir aqui e deixam suas impressões nesse blog. Agradeço de coração. Vocês deixam comentários, e levam pedaço de mim, mas me deixam mulplicada. Meu respeito e carinho, aos que não citei, mas estão escritos com letra escarlate no meu coração.

Ao manchinha negra, foi para ele esse blog e continua sendo, pelo grande ser humano que ele é e por ter provado que virtualidade pode ter cheiro, toque e coração saindo pela boca na materialização fisica do carinho que temos pelos que conhecemos aqui (se o coração for bom, todas as nossas obras serão boas): você é um homem, um anjo, que me ensinou a soletrar a beleza. Você me ensinou muita coisa. Esse blog foi sugestão sua. E ele vingou até hoje, como ainda vinga a nossa amizade e esse extremo carinho em duas vias.

A Deus, porque o que há de bom em mim, não é meu. É mérito dele. E eu choro quando penso que mesmo sendo o que sou, Ele me ama incondicionalmente. E sei que não há um dia, em que Ele me abandone e não me perdoe. Por isso que ainda existo. Pela misericórdia desse Deus que nunca me julga, mas me ama, mesmo quando precisa exortar. Quando piso na bola e caio, sei que cairei nos braços Dele. Ai de mim se não fosse assim. Beijo, a todos.

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