o passar dos dias
quem me disser
que idade é defeito
não entende que o passar dos dias podem
na verdade
virar poesia.
depende do olho. depende do dia.
com rima ou verso quebrado
escrevê-los
e colocá-los
à vista
pelo prazer de estar viva.
Socorro Leadebal
Alguns dias fora do ar devem-se à impossibilidade de conexão. Infelizmente temos mais mistérios que a nossa filosofia tosca, rota possa imaginar. Ando tecendo fios de paciência, os fios que se entrelaçam nas minhas mãos... e eu vou tecendo metodicamente para ver se sobrevivo aos meus enclausuramentos de dor. A internet tem disso. Na minha repartição (tá, não sabiam? sou funcionária pública, honesta, diga-se de passagem), cortaram a internet dos funcionários, como se assim, pudessem proibir os funcionários de comunicarem-se com o mundo. Amordaçam o povo, mas não conseguem amordaçar o pensamento. O corpo pode até sofrer açoites. E as vezes, entramos num processo de depressão tão absurdo, que é preciso muita força para levantar.
Mas nunca vi poeta ser tão teimoso. Amordaçaram temporariamente a minha possibilidade de falar com o mundo, mas eles não podem amordaçar a minha alma e nem o meu pensamento...
É difícil. Lembro das proibições de Fidel Castro quanto à utilização da Internet no país. Só que Fidel eu admiro. Exemplo de educação e Saúde. Mas proibir o livre arbítrio? Nem Deus proibiu.
O problema é que tem muita gente achando que é maior que Deus. A propósito, eu creio em Deus. Assim como creio em sua justiça. A resposta a tanta maldade dos homens virá mais na frente.
Enquanto isso. Eu me recolho aos meus pensamentos temporários, suplicando: alguém tem um emprego aí? Estou precisando.
Os políticos deveriam ler mais sobre gestão de pessoas, para desenvolverem colaboradores e não escravos.
Estamos ainda, infelizmente na época da Casa Grande e senzala. Melhor que cantemos: lê lê, lê, lê...lê lê lêêê..
Na primeira noites eles se aproximam
roubam uma flor do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
Trecho do Poema "No Caminho, com Maiakóvski"
In: COSTA, Eduardo Alves da. No caminho, com Maiakóvski. Rio de Janeiro:
Nova Fronteira, 1985. (Poesia brasileira). Poema integrante da série "O Tocador de Atabaque"
Retirado da Página: Futuro do Atendimento Médico no Brasil

Foto da Cristina. (Lado esquerdo da Praia de Naturismo - Tambaba)
O carnaval de João Pessoa já começou. Hoteis lotados, muitos turistas de todo o país e exterior. Fico feliz que todos possam compartilhar dessa maravilha de cenário. Parou de chover um pouquinho. O céu está lindo.
Sentada no meu birô da repartição, acostumo-me à lama de Augusto dos Anjos. Ai Chapolim Colorado, quem poderá nos defender? Enquanto não vem o socorro, abro as portas da saudade, deixo-me invadir pelas palavras e solto o verbo da minha angústia.
Platônico
fecho os olhos
delineando tua boca
nua
exposta à minha
te beijo
transpiro o mar vermelho
e dou voltas ao redor da lua.
Vou tentar dormir. Amanhã é um novo dia. Trabalho, trabalho e trabalho. Coisas que preciso falar, mas que as circunstâncias calam. Parecem que vivemos em 68, quando as pessoas falavam por códigos, metáforas e parábolas. Tem-se medo de falar tudo. Vivemos uma fase de Big Brother. Cuidado, irmão, tudo que falar, pode ser usado contra você. Salve-se quem puder. Deixo poemas pra finalizar a noite. Enquanto isso, imaginamos formas de burlar a vigilância do grande irmão. As nossas rosas ainda falam. Boa noite, queridos! Essa bruxinha tá cansada, por hoje.
Temporário
Parece que o tempo
Esse carcereiro implacável
Brinca de dominar
E por fim
Libertar
O que a gente com tanta força
Sufoca entre os dedos
Açoite
Quero que permita
ao menos
que me escondas
no doce quilombo
de tua boca.
Folião
Na imensidão do nada,
o desejo
toma corpo e fantasia
e se dispersa na avenida.
Natureza Viva
A janela aberta
o olho mirando outro olho
réstias de sol
vazando imagem a dentro,
imaculada paixão fotográfica.
Insólito
Devora-me
a língua culta
e a saliva afoita
a boca
de estrelas incandescentes.
Imenso
“Só chamei porque... te amo...”.
Teu pé entrelaça o meu
confuso
e o meu coração
Moleque inquieto
acelera
tentando entender
estrelas que se curvam a você
Pôr de Sol em Jacaré (By Dira Vieira®)
Esse é um outro anglo da praia de Jacaré. Nesse dia, as nuvens ainda nos deixaram vislumbrar o sol se escondendo por entre o mato do outro lado da praia. Essa foto foi há 3 anos. A bolsa que aparece no detalhe era da Eva, quando ela nos visitou em Fevereiro, há três anos atrás... O clima é delicioso. Ouvir Ravel quando o sol vai se pondo, é simplesmente belo. Se um dia você vier em João Pessoa, não deixa de ver esse espetáculo da natureza, com um dedinho do Ivanildo do Sax. Ei Lau Siqueira, o que me diz dessa foto, tu como poeta dos bons???

Por do Sol em Jacaré - Foto by Eva Arman®
Jacaré é o encontro do Rio Paraíba, com o mar através de Cabedelo. Não é um local de banho, mas um passeio de barco é delicioso. Todas as tardes, ao pôr do sol, Ivanildo do Sax, faz um verdadeiro ritual, tocando o "Bolero de Ravel" o que faz acompanhado por todos os bares da redondeza. Vai tocando o Bolero até o sol se por... é simplesmente arrepiante.
Inspira poetas, músicos, namorados. Faz-nos lembrar o quanto a vida é bela de viver e como a natureza é explêndida. Depois que o sol se põe, Ivanildo volta e recolhe seu sax. O lugar tem uma boa estrutura de estacionamento e de bares. Pra turista nenhum botar defeito.
Bom ir lá, tomar algo interessante, esperando o sol ir embora. A companhia também tem que ser interessante, ou então, amigo, vá sozinho, que antes só que mal acompanhado. Intessante que não vi poetas de João Pessoa por alí, onde vocês se escondem, mágicos das letras? Saiam das tocas, venham para o pôr do sol em Jacaré.

Foto da Eva Arman®
Observando de cima a beleza das praias de João Pessoa, fico sem fôlego com magia. São quilômetros de praias paradisíacas, mas infelizmente sem infra-estrutura suficiente para receber turísta. Não sei se isso é bom ou ruim. Bom porque sem turistas elas continuariam "virgens" e ruim, porque a beleza natural não serve para trazer divisas para o estado.Essa aí de cima é Tabatinga, no município do Conde, poucos quilômetros de João Pessoa. Essa foto foi tirada de uma barreira. É lindo. Bom mesmo que o goiverno percebesse quanta riqueza temos aqui e pudesse disponibilizar isso pro mundo, com infraestrutura, e recursos.
Ontem começou o carnaval de rua de João Pessoa. Aqui não é nada maior do mundo não, mas garanto, é pra Paris nenhum botar defeito. Fico na Paraíba sim, senhor. Eitcha estado bonito de ver.

Posso não ter certeza de nada
nem do dia
nem da noite que amanhece dentro de mim
Posso não ter noção do nada
nem da ausência
nem da presença
que a tua palavra
verso vivo
alma incolor
ressente em mim
Posso não ser nada
e até a dúvida
te implode dentro de mim.
Dira Vieira

A lua está linda no céu. Poucas vezes ousamos sair de dentro da concha e ir ver o mar à noite. Foi domingo. Na companhia de Eva, Ana e Dona Nilza. Em cada mesa de bar à beira-mar tem-se que pagar cover. Então fomos sentar na areia da praia. Deitar na areia de noite...lindo. Eu estava esquecida de como é linda a noite na praia. Deitamos olhando o céu límpido. O vento empurrando algumas nuvens que traziam a chuva. A vassoura estacionada no acostamento. Vento bom, lua teimosa que saiu apenas às 18 e 40.
O pensamento vai longe. A alma acompanha. Chove no Nordeste. Chove no Sul. O sertão virando mar, mas graças a Deus, o mar ainda não está virando sertão. O mar avança querendo tocar os nossos pés. Confissões de bruxas, confissões de mulheres. Ritual de liberdade. Vontade de virar a mesa. Choro. Alegria. A cidade ao longe fica linda vista daqui da areia.
Ouvimos o outro. Abrimos os armários, parcialmente para o outro vasculhar. Ficamos atrás da porta com os nossos muros de proteção. O que nos impede de ser feliz? O que nos impede de vir aqui, olhar o mar quando sentimos vontade de estar sozinhos?
O barulho das ondas. Voz entrecortada de soluço, ouvimos a outra na terapia de mulheres que vivem. Daria um livro. A porta do armário querendo abrir, e a gente colocando apenas roupas limpas para fora. Escondemos as sujas debaixo das gavetas. A outra não percebe a meia suja que transparece pela fresta. Armários embutidos de nós mesmas. Mulheres que vivem. Mulheres e seus rituais de compartilhamento de dores. Até onde vai a parceria. Até onde vai a amizade, o corporativismo. Somos? Acho que homens são, mulheres ainda dançam mais para o acasalamento do outro. Gosto muito dessa palavra: dança do acasalamento. Dançamos o tempo todo. Dançamos ao redor do outro. Dançamos, balançamos os cabelos, realçamos o batom vermelho.Fazemos caras e bocas e a solidão fica parceira de nossas dúvidas.
Domingo à tarde... bom estar olhando você em cada estrela que se destaca. A que pisca mais forte é o seu olhar a nos espreitar. Estrela que se perde no céu de minha boca. Desejo contido e aprisionado. Gaiola de porta aberta e garras invisíveis. Quem pode voar assim?
Desconheço o autor dessa foto belíssima, quem souber, me avise que terei maior prazer de dar os créditos e tirar meu chapéu pra ele.
Poema pra ler pro amado. E amada. Noites de chuva e de frio, te mando esse verso, enquanto espero a lua.
Lê aí:
Namorando Estrelas
Soneto da devoção
Essa mulher que se arremessa, fria
E lúbrica aos meus braços, e nos seios
Me arrebata e me beija e balbucia
Versos, votos de amor e nomes feios.
Essa mulher, flor de melancolia
Que se ri dos meus pálidos receios
A única entre todas a quem dei
Os carinhos que nunca a outra daria.
Essa mulher que a cada amor proclama
A miséria e a grandeza de quem ama
E guarda a marca dos meus dentes nela.
Essa mulher é um mundo! — uma cadela
Talvez... — mas na moldura de uma cama
Nunca mulher nenhuma foi tão bela!
Vinícius de Moraes
Extraido do belíssimo site: http://www.desejo.com/poesia)
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